Um javali encontra um jovem leãozinho, rei da selva, que foi expulso do seu reino por seu tio – até, então, o “rei leão”.
Essa dupla se junta com um suricato e os três se tornam grandes amigos por um período.
Na verdade, o javali e o suricato ajudarão o leãozinho a se tornar, realmente, o rei da selva, o tal Rei Leão, passando por um reconhecimento de quem ele é – sua diversidade inata.
Essa é uma das passagens mais importantes do clássico desenho da Disney, de 1994, que, nesse mês, volta às telonas em uma versão de live action.
Analisando toda a história do Rei Leão consegui identificar algumas conexões com a implantação de um programa de diversidade e inclusão com foco no universo LGBTQIAPN+.
E é isso que presento abaixo para, quem sabe, eu consiga também traduzir na prática o que é realmente uma estratégia de diversidade e inclusão. Vamos lá!
1. Você Não Pode Fugir do Passado, Mas Pode Aprender com Ele e Assim Mudar o Futuro

Simba, o pequeno leãozinho e futuro rei da selva, foge do habitat por achar que matou o seu pai, Mufasa. Só que ao longo do filme, ele vai se deparando com quem ele é mesmo, o Rei Leão, intensificando a presença do seu passado na trama.
Até chegar em um patamar que o coloca em uma sinuca de bico:
- Seu passado nunca sairá dele, faz parte de quem ele é. Então a sua escolha é aprender com o mesmo e mudar o seu futuro ou saber da sua existência e ficar na mesmice.
Isso é exatamente o que acontece com uma empresa que “descobre” o mundo da diversidade e inclusão LGBTQIAPN+, que é muito mais do que uma lista de checklist que a sua empresa deve concluir ao longo do tempo.
Todas as ações que ela fez até então a levaram até ali.
Acaba que ela tem que decidir qual é rumo que tomará dali para frente, para onde direcionará o seu negócio e o que fará com que ela realmente acredite e invista tempo, dinheiro, capital humano e estratégia em um projeto de diversidade LGBTQIAPN+.
Ela tem que realmente decidir se aquele propósito que ela descobriu faz sentido para o seu negócio e a sobrevivência da companhia nos próximos anos.
2. Olhe para Dentro de Ti Mesmo. És Mais do que Aquilo em que Te Tornaste

Ao longo do filme, Simba vai apresentando a sua diversidade inata e nos leva a reflexão do quanto precisamos caminhar por trilhas só nossa para nos reconhecer como únicos e transformadores do nosso mundo.
Até porque… Gays diferem das lésbicas que diferem de trans que diferem de intersexuais que diferem de não-binárias e por aí vai…
Cada letrinha tem a sua demanda e enfrenta desafios diferentes, além de requer apoios também específicos.
Entender quem é quem é saber exatamente tornando cada pessoa única.
É olhar para dentro de cada ser humano, ter empatia, conexão e amor por toda a sua trajetória.
É saber extrair o que é importante para o negócio da sua companhia diante a diversidade LGBTQIAPN+ das pessoas. É o que sempre digo:
Diversidade e inclusão não é caridade, mas sim negócio.
Portanto, saber trabalhar com a multiplicidade das pessoas diante do negócio é o que faz a diferença em um real e íntegro programa de diversidade e inclusão LGBTQIAPN+.
3. A Jornada de Mil Quilômetros Começa com o Primeiro Passo

Uma das primeiras cenas e mais importantes do filme é quando o Simba nasceu e é apresentado a outros animais. Além de ser emocionante, marca um processo de sucessão e os outros animais saberão o que está por vir. É um simples ato, super ritualístico e importante para o futuro do reino.
E é assim também no processo de implantação de diversidade e inclusão. São pequenas e importantes ações que vão direcionar a sua companhia para o futuro.
Ações essas que consideram períodos de transições de colaboradores, principalmente entre mais jovens e mais velhos.
É nessa fase em que mostra ao “reino” como uma empresa trabalha: ajudando novos funcionários e colaboradores em transição de carreira, principalmente LGBTQIAPN+, que são bem-vindEs e apoiados, sempre contribuindo para que se estabeleçam da melhor forma possível e cresçam rápido na companhia.
4. Os seus Problemas Você Deve Esquecer. Isso é Viver, é Aprender. Hakuna Matata

O que seria a adaptação do Simba, quando foge de casa, no “novo reino”, sem a presença de Timão e Pumba?
Se você não consegue imaginar, pense como seria essa cena:
Não é emocionante?
Certeza que é se você curte Rei Leão, não importa a idade que você tenha!
O fato é que é justamente isso que faz uma pessoa aliada em uma estratégia de diversidade e inclusão. Ela não só é indispensável no local de trabalho como nos encoraja a sermos a nossa melhor versão, desenvolvendo a nossa inata diversidade.
Portanto, ter um time de aliados, não só colaboradores como gerentes / líderes, faz a diferença na vida de profissionais LGBTQIAPN+, porque sentimos fortalecidos para seremos quem somos na empresa.
Ou seja, desenvolve o sentimento de pertencimento, igual Simba sentiu ao viver, por um período, na selva, sem nenhum problema, com Timão e Pumba.
5. – Veja esse Diálogo:
- Tudo o que vês existe num delicado equilíbrio. Como rei, precisas de compreender esse equilíbrio e respeitar todas as criaturas, desde a formiga rastejante ao antílope que salta.
- Mas pai, não comemos os antílopes?
- Sim, Simba, mas deixa-me explicar. Quando morremos, os nossos corpos tornam-se em relva e os antílopes comem a relva. E assim estamos todos ligados no Grande Círculo da Vida.

Esse é para mim um dos diálogos mais bonitos do Rei Leão. Não só porque ele fala de respeito, algo que a comunidade LGBTQIAPN+ busca incansavelmente, como também nos demostra a diversidade nua e crua, ou seja, somos todos iguais, ao mesmo tempo, tão diferentes.
Então, para incluir as pessoas na nossa empresa, precisamos entender que cada um tem o seu desafio ao invés de fazer ações “afirmativas” meritocráticas.
Sim, meritocracia deve existir DEPOIS de colocar todas as pessoas nos mesmos patamares a partir de processos inclusivos.
Para isso, é importante uma política de “portas abertas”, ou seja, a gerência deixar, literalmente, a sua porta do escritório aberta para escuta, para a transparência e para encarar a realidade.
Além é, claro, da sua equipe poder falar com os seus chefes a hora que quiser sem ter que sofrer alguma retaliação por apontar um problema.
A gente vê realmente quem faz uma política concreta de “portas abertas” quando a discriminação não é tolerada e é encarada de frente. Vê que é respeitado o tempo das pessoas para elas se assumirem (ou não) nos seus trabalhos e que a companhia evita, a todo custo, provocar / desenvolver problemas mentais nos seus colaboradores LGBTQIAPN+.
É de responsabilidade da companhia gerenciar todos esses desafios como criar um ambiente seguro para colaboradores LGBTQIAPN+ compartilharem suas preocupações, medos e frustrações de modo que se sintam seguros, compreendidos e protegidos.
Esse texto apresentou alguns tópicos do que eu compartilho em uma metodologia real e que dê resultado de diversidade LGBTQIAPN+.
Agora, eu te faço uma reflexão:
Se você quer aprender gratuitamente, clique aqui para ler esse meu outro artigo.
Imagens: Google Imagens.

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